segunda-feira, 18 de abril de 2011

Uma agulha...

Furar o dedo dói? Dói sim, mas nunca matou ninguém de dor... De tétano talvez, mas de dor não... Enfiar uma agulhinha no braço mata? Não mata! Então porque eu não consegui? Por que eu não consigo? Uma pessoa poderia se sentir melhor por causa de uma bolsa de sangue O- que eu tivesse doado... E eu doei? Não! Eu me acovardei! Sim, eu sou covarde! Deixei de salvar uma vida por causa de um maldito furinho no braço! Não é frescura não... Nem medo é... É fobia, é pânico, é desespero! Eu simplesmente não dou conta! É o meu limite! Eu posso atravessar um rio cheio de crocodilos numa canoa velha, posso matar uma aranha do tamanho da palma da minha mão na chinelada, podia subir no telhado aos 8 anos prá tampar a caixa d'àgua, ajudar uma estrangeira desconhecida sem sequer falar a língua dela, fazer uma palestra sobre Santa Teresa de Jesus, sobre qquer passagem bíblica sem ensaio... Eu posso fazer um monte de coisas que dão medo a muita gente, mas encher uma bolsinha de sangueeu não posso!!! Um apelo aos engenheiros, cientistas e tantos gênios por aí: Inventem um jeito de doar sangue sem a agulha, por favor!!! Hoje eu estou prostrada diante da minha incapacidade... Da minha vergonha e de certo modo, meu egoismo... Estou profundamente triste, mas atada ao meu medo sou ainda incapaz de me levantar e encará-lo! Talvez eu leve uma vida inteira, mas um dia, eu prometo que ainda vou encher essa bolsinha! E tudo por hoje!